Quanto dar de desconto sem ter prejuízo
Quanto dar de desconto sem perder dinheiro: por que 10% de desconto come bem mais que 10% do lucro e como achar o seu limite com um exemplo fácil.
Preço mínimo de venda sem mistério: os três pisos (caixa, salário e negócio), um exemplo fácil de vaso de suculenta e quando dá pra vender abaixo dele.

Todo produto tem um número que protege o seu bolso: o preço mínimo de venda. É como a linha d'água de um barco. Acima dela, você flutua. Abaixo, entra água, e quanto mais você vende, mais afunda.
Parece óbvio, mas muita gente só descobre esse número depois de meses vendendo no vermelho. A conta cabe numa frase. O que confunde é decidir o que entra nela.
Preço mínimo = custo dividido pelo que sobra depois das taxas.
Custo é tudo que uma unidade gasta. Taxas são as porcentagens que saem do valor vendido: maquininha, comissão de aplicativo, imposto sobre a venda. Elas entram dividindo, e não somando, porque são cobradas em cima do preço, e não em cima do custo.
Um teste rápido. Imagina um custo de R$ 10 e uma taxa de 10%. Se você soma 10%, o preço fica em R$ 11. A maquininha leva 10% disso, e sobra menos que os R$ 10 do custo. Faltou dinheiro. Se você divide por 0,90, a conta fecha.
Se ainda não sabe montar o custo de uma unidade, comece por como calcular o custo de produto.
Aqui mora a confusão. Dependendo do que você coloca no custo, o preço mínimo muda bastante. Imagina uma vendedora de vasinhos de suculenta que vende numa feira. Os valores são de exemplo.
Piso 1, o do caixa: só o material (muda, vaso, substrato, saquinho). Digamos R$ 9. Com taxa de 10%, o mínimo é R$ 10. Abaixo disso, você nem repõe o que gastou.
Piso 2, o do salário: material mais a sua hora de montagem. Digamos R$ 4,50 de hora. O mínimo vai a R$ 15. Aqui a reposição está paga e o seu trabalho também.
Piso 3, o do negócio: material, hora e a parte dele nos custos fixos (barraca, transporte, DAS do MEI). Digamos mais R$ 4,50 por vaso. Custo cheio de R$ 18, mínimo de R$ 20.
Só o terceiro é o preço mínimo de verdade. Os outros dois parecem prontos, mas deixam algum custo sair do seu bolso no fim do mês. O terceiro é o que vai pra sua tabela como limite de negociação.
O preço mínimo deixa o lucro em zero. O negócio precisa de margem pra guardar dinheiro, trocar a prateleira, aguentar um mês fraco.
No exemplo, com as taxas de 10% e uma margem de 30%, sobram 60% do preço pra pagar o custo. R$ 18 dividido por 0,60 dá R$ 30.
A distância entre R$ 20 (o mínimo) e R$ 30 (o ideal) é o espaço que ela tem pra dar desconto, fazer combo ou negociar com quem compra muitos. A fórmula completa, com margem, está em fórmula do preço de venda.
Mito: o custo fixo por vaso é um número que não muda.
Verdade: o custo fixo do mês é o mesmo, mas a parte dele em cada vaso muda com o volume. Dividir os mesmos gastos por mais vendas deixa cada venda mais leve, e dividir por menos deixa mais pesada.
Duas consequências práticas:
Os jeitos de dividir o fixo entre produtos diferentes estão em rateio de custo fixo por produto.
A taxa entra na conta, então o mínimo muda conforme onde você vende. Se a mesma vendedora anuncia o vaso num aplicativo com taxa maior (confira a real na central de ajuda da plataforma), o mínimo sobe. Vender na feira por um preço pode dar lucro e vender pelo mesmo preço no aplicativo, quase nada. Por isso o preço por canal costuma ser diferente. A conta está em vender em vários marketplaces.
É a situação mais comum. O concorrente cobra R$ 18 e você fica tentada a igualar. Com os números do exemplo, R$ 18 é exatamente o seu custo cheio. A taxa de 10% leva R$ 1,80, e cada vaso dá R$ 1,80 de prejuízo.
Antes de copiar o preço do vizinho, pergunte: o custo dele é igual ao seu? Ele conta a hora? Paga barraca? Muitas vezes quem vende barato simplesmente não fez a conta.
Se você não consegue vender acima do piso, mexa no custo, não no preço: vaso mais simples, mudas compradas em maior quantidade, montagem em lote pra baixar o tempo por vaso. Mais caminhos em preço da concorrência.
Existem exceções, e todas são pontuais, com prazo:
O que não é exceção: vender abaixo do piso todo dia esperando "ganhar no volume". Se cada unidade dá prejuízo, o volume só aumenta o prejuízo.
Um cuidado: use o custo de reposição, não o que você pagou meses atrás. Se a muda subiu, o vaso da prateleira já custa mais pra repor.
Esse número é o seu limite em qualquer desconto. Pra saber até onde dá pra ir mantendo alguma margem, use a calculadora de desconto máximo.
Some tudo o que o produto custa (material, embalagem, sua hora e a parte dele nos custos fixos) e divida por 1 menos a taxa da venda em decimal. Com custo de R$ 18 e taxa de 10%, o preço mínimo é R$ 18 dividido por 0,90, ou R$ 20.
Não. O preço de custo é só o que você gastou. O preço mínimo também cobre a taxa da maquininha, do aplicativo ou o imposto, que saem do valor vendido. Por isso ele é sempre um pouco maior que o custo.
Só em casos pontuais e conscientes: mercadoria que vai estragar, encalhe que ocupa espaço ou um produto de entrada que puxa outras vendas. Como regra de tabela, não. Vender abaixo do mínimo de forma fixa faz o negócio perder mais quanto mais vende.
A parte do custo fixo muda. Os mesmos custos fixos divididos por mais vendas pesam menos em cada uma. Por isso refaça o preço mínimo quando o seu volume mudar bastante.
Você já sabe o caminho. Agora é só aplicar em cada produto ou serviço que você vende, e a parte chata da conta pode ficar com o app: você conta quanto gasta e quanto quer ganhar, e ele mostra o preço certo e quanto sobra em cada venda. Dá pra testar grátis, sem cadastro.
Quanto dar de desconto sem perder dinheiro: por que 10% de desconto come bem mais que 10% do lucro e como achar o seu limite com um exemplo fácil.
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