Repassar a taxa do cartão pro cliente: pode? Como calcular
Pode repassar a taxa do cartão pro cliente? Veja o que diz a lei, como avisar sem climão e por que dividir é melhor que somar a porcentagem.
Como colocar a taxa da maquininha no preço sem levar susto: por que usar a taxa média das suas vendas e não a maior, com um exemplo fácil.

Toda venda no cartão chega um pouquinho menor na sua conta. É como pedir uma pizza e descobrir que o motoboy comeu uma fatia no caminho. Ninguém vê, mas no fim do mês a pizza inteira faz falta.
Colocar a taxa da maquininha no preço resolve isso. A conta é simples, mas tem dois detalhes que quase todo mundo erra, e a gente vai pegar os dois.
A maquininha cobra uma porcentagem sobre o valor da venda. Ela não quer saber se o produto custou pouco ou muito pra você: leva a parte dela do total.
Isso muda tudo. Se você calcula o preço só com o custo e o lucro, a taxa aparece depois e morde o seu lucro. Você planejou ganhar uma fatia e ganha uma fatia menor.
O jeito certo é tratar a taxa como uma fatia do preço, igual ao lucro. Custo, taxa e lucro dividem o preço entre si. Essa é a mesma ideia de como calcular preço de venda, só que com a maquininha no lugar certo.
Aqui está o erro mais comum. A pessoa olha o contrato, vê "crédito à vista" com a taxa grande e coloca esse número em tudo. Só que nem todo cliente paga no crédito. Quem paga no PIX gera pouca ou nenhuma taxa, e o débito costuma ser bem mais barato que o crédito.
Usar a maior taxa em tudo deixa o preço alto sem motivo. Você perde venda pro concorrente e ainda cobra a mais de quem pagou no PIX.
Pega as vendas de um mês (o extrato da maquininha e o do banco mostram) e vê quanto entrou em cada forma de pagamento. Multiplica a fatia de cada uma pela taxa dela e soma.
Dica rápida: as taxas mudam com plano, volume e promoção. Confira as suas no app da maquininha ou no contrato, e não na taxa que você lembra de quando contratou.
Se quiser a média com mais formas de pagamento, veja a taxa média por forma de pagamento.
É só um exemplo, troque pelos seus. Imagina que metade das suas vendas é PIX, sem taxa, e a outra metade é cartão, com uma taxa de 4%. A média fica em 2%.
Um produto custa R$ 49 pra você. Você quer 28% de lucro. Taxa e lucro juntos ficam com 30% do preço, e sobram 70% pra pagar o custo.
Se R$ 49 são 70% do preço, o preço é R$ 70. Conferindo: R$ 1,40 vão pra maquininha, R$ 19,60 ficam de lucro e R$ 49 pagam o custo.
Na venda no PIX, você ganha um pouco mais que o planejado. Na venda no cartão, um pouco menos. No fim do mês, a média bate com o que você queria. Um preço único não precisa acertar a margem em cada venda, precisa acertar na soma.
Se você esquece a maquininha e cobra um pouco menos, cada venda no cartão sai com lucro menor do que o planejado. Parece pouco, mas se repete em todo pedido.
O preço sobe sem necessidade. Pra quem paga no PIX, é preço mais caro por nada. E em loja de bairro, onde o cliente compara com a vizinha, uns reais a mais decidem a venda.
Mito. Cada maquininha tem suas taxas, e elas mudam conforme o plano, o volume e até a bandeira.
Verdade. Vale comparar com base no seu mix de vendas, e não na taxa do crédito que aparece em letra grande no anúncio. Veja comparar taxas de maquininha.
O crédito parcelado tem taxa bem maior que o à vista, porque a maquininha adianta o dinheiro das parcelas futuras. Se você coloca essa taxa na média, todos os produtos sobem pra pagar o parcelamento de poucos clientes.
O caminho mais usado é separar: o preço da vitrine cobre PIX, débito e crédito à vista, e o parcelado tem um valor próprio ou um acréscimo informado ao cliente. Pra saber quanto você recebe em cada parcela, veja taxa de parcelamento da maquininha. E se quer saber se pode cobrar diferente no cartão, leia repassar a taxa do cartão pro cliente.
Pra uma conta rápida, a calculadora de parcelamento mostra quanto sobra numa venda específica.
As taxas mudam com frequência: promoção de entrada que acaba, plano que muda conforme o faturamento, taxa diferente por bandeira.
Meia hora a cada três meses evita que a sócia invisível leve um pedaço do lucro sem você perceber. E se quiser que o app faça a média e o preço por você, é só testar de graça.
Sobre o valor total da venda. Não importa quanto você lucrou: a maquininha fica com a parte dela do que o cliente pagou. Por isso a taxa precisa estar dentro do preço.
Depende da empresa, do plano e até do seu volume de vendas, e muda com frequência. Abra o app da maquininha ou o contrato e anote a taxa de cada modalidade. As taxas deste texto são só exemplo.
Sim, se você aceita cartão em todos eles. O jeito mais simples é usar a taxa média das suas vendas. Assim o produto paga a maquininha em qualquer forma de pagamento, sem ficar caro demais pra quem paga no PIX.
Entra, mas como gasto fixo do mês, junto com internet e celular. Ele não muda com cada venda, então não faz parte da taxa percentual. Some nos gastos fixos do mês.
Você já sabe o caminho. Agora é só aplicar em cada produto ou serviço que você vende, e a parte chata da conta pode ficar com o app: você conta quanto gasta e quanto quer ganhar, e ele mostra o preço certo e quanto sobra em cada venda. Dá pra testar grátis, sem cadastro.
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