Taxa da maquininha: como colocar no preço sem perder venda
Como colocar a taxa da maquininha no preço sem levar susto: por que usar a taxa média das suas vendas e não a maior, com um exemplo fácil.
Pode repassar a taxa do cartão pro cliente? Veja o que diz a lei, como avisar sem climão e por que dividir é melhor que somar a porcentagem.

"Se for no cartão, fica um pouquinho mais caro." Muita gente fala isso no balcão com a voz baixinha, como se estivesse confessando um crime. Respira: não é crime, desde que você faça direito.
Repassar a taxa do cartão é permitido no Brasil. As dúvidas que sobram são práticas: quanto cobrar a mais, como avisar sem climão e por que somar a porcentagem te deixa no prejuízo.
A regra está na Lei 13.455, de 2017. Ela autoriza quem vende a cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento (dinheiro, PIX, débito, crédito) e conforme o prazo (à vista ou parcelado).
Dois pontos importam pra você:
A lei não fixa um teto. Mesmo assim, cobrar muito acima da taxa real pode ser questionado como prática abusiva. A regra de ouro é: repasse o que a maquininha cobra de você, nada além, e tenha a conta à mão. Em caso de dúvida específica, o Procon da sua cidade orienta.
Marketplaces e aplicativos de delivery têm regras próprias sobre preço no cartão. Lá, confira a política da plataforma antes de mexer.
Pensa na maquininha como um sócio invisível que pega a fatia do que o cliente pagou, e não do que você queria receber. Por isso o jeito intuitivo de repassar dá errado.
Exemplo redondo (a taxa é só de exemplo, a da sua maquininha você confere no app ou no contrato). Você quer receber R$ 100 e a taxa da parcela é 10%.
Parece pouco, mas é um real a menos em cada venda. Nas parcelas com taxa maior, o buraco cresce. Em palavras: o preço no cartão é o que você quer receber dividido pelo que sobra da taxa. Na prática, arredonde pra cima.
Quer ver as taxas mais comuns já convertidas em fator de divisão? Tem a tabela de repasse de taxa.
Dica rápida: repare que 10% de taxa viram uns 11% a mais no preço. O acréscimo é sempre um pouco maior que a taxa. É essa diferença que a conta de dividir cuida pra você.
A lei pede informação clara, e o cliente também. Quem descobre a diferença só na hora de pagar sente que foi enganado, mesmo com a conta certa. Algumas formas de deixar tudo visível:
Mito. O que afasta cliente é surpresa. Quando ele vê o preço de cada forma antes, vira só mais uma opção.
Verdade. Muita gente prefere o PIX quando enxerga a diferença, e isso é bom pra você, que economiza taxa.
Muitos negócios invertem a frase: anunciam o preço do cartão como o normal e dão desconto no PIX. O dinheiro que entra é o mesmo, mas "desconto no PIX" soa melhor que "acréscimo no cartão". A diferença está em preço diferente no PIX e no cartão e em desconto no PIX. Os dois caminhos são permitidos. Escolha um e mantenha o padrão em todos os canais.
Repassar não é obrigatório. Às vezes absorver faz mais sentido:
Uma regra simples: se a taxa de uma forma de pagamento come uma parte grande da sua margem, repasse. Se come pouco, avalie absorver.
Se fazer essa conta pra cada produto e cada parcela der preguiça, é pra isso que o app existe.
Não. Desde a Lei 13.455/2017 é permitido ter preços diferentes conforme a forma e o prazo de pagamento. O que a lei exige é informar o cliente de forma clara. Cobrar a diferença de surpresa, só na hora de passar o cartão, é o que costuma gerar reclamação no Procon.
A mesma lei diz que é nula a cláusula de contrato de pagamento que proíba ou restrinja essa diferença de preço. Mesmo assim, leia o seu contrato e, em caso de dúvida, pergunte à empresa da maquininha.
A lei não fixa um limite, mas uma diferença muito acima da taxa real pode ser vista como abusiva pelo cliente e pelo Procon. O mais seguro é manter o acréscimo próximo do que a maquininha cobra de você e conseguir mostrar a conta se alguém perguntar.
Mostre os dois preços lado a lado antes da compra: na etiqueta, numa placa no caixa, no cardápio, no catálogo do WhatsApp e no orçamento. Muitos negócios preferem anunciar o preço do cartão e dar desconto no PIX, que é a mesma conta dita de um jeito mais simpático.
Você já sabe o caminho. Agora é só aplicar em cada produto ou serviço que você vende, e a parte chata da conta pode ficar com o app: você conta quanto gasta e quanto quer ganhar, e ele mostra o preço certo e quanto sobra em cada venda. Dá pra testar grátis, sem cadastro.
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