Imposto do MEI no preço: como o DAS entra na conta
Como colocar o imposto do MEI no preço sem susto: o DAS é fixo, então o jeito é diluir nas vendas. Exemplo fácil e erros comuns de quem esquece dele.
Como colocar o Simples Nacional no preço de venda usando a alíquota efetiva, e não o número da tabela, num exemplo fácil de acompanhar.

Você saiu do MEI, abriu a tabela do Simples Nacional, viu lá um número tipo 7,3% e pensou: "então vou somar isso em todo preço". Parece o mais seguro, né? Só que, na maioria das vezes, é o jeito de cobrar mais caro do que precisa.
O que entra no preço é a alíquota efetiva. Calma, o nome é feio, mas a ideia é simples.
Imagina a maquininha como uma sócia invisível que leva um pedacinho de cada venda. O imposto do Simples é outra sócia: ele é calculado sobre o faturamento, não sobre o lucro. Cada venda paga a sua parte, com lucro ou sem.
Isso significa que o imposto é uma porcentagem do preço, igualzinho à taxa do cartão. E, como qualquer taxa, ele entra na conta junto com as outras. Se você só soma ele em cima do custo, o imposto morde a sua margem. A lógica completa está em como calcular preço de venda, e a conta com impostos em preço de venda com impostos.
A tabela do Simples mostra, pra cada faixa de faturamento, a alíquota nominal e uma coluna chamada parcela a deduzir. A nominal sozinha não é o que você paga.
A conta oficial, em palavras: pegue o faturamento dos últimos 12 meses, multiplique pela alíquota nominal da sua faixa, tire a parcela a deduzir e divida de novo pelo faturamento. O resultado é a efetiva.
Ela é sempre menor que a nominal, e sobe aos poucos, não de uma vez. Ou seja, passar pra faixa seguinte não faz o imposto dar um salto. A parcela a deduzir é a responsável por essa transição suave.
Dica rápida: a sua contadora ou o seu contador consegue te dar a alíquota efetiva em segundos. Peça o número do mês e use ele no preço. Os valores das faixas são definidos em lei e podem mudar, então a tabela em vigor sempre vale mais que qualquer artigo.
É só um exemplo, troque pelos seus. Uma peça custa R$ 60 pra você. Sua alíquota efetiva do Simples está em 5% e a taxa média da maquininha em 5%. Você quer 30% de lucro.
Somando, imposto, taxa e lucro ficam com 40% do preço. Sobram 60% pra pagar o custo. Se R$ 60 são 60% do preço, o preço é R$ 100.
Conferindo: R$ 5 vão pro imposto, R$ 5 pra maquininha, R$ 30 ficam de lucro e R$ 60 pagam o custo.
Dá pra errar de dois jeitos.
Usar a nominal da tabela. Em vez de 5%, você usaria uns 7%. O preço sobe uns R$ 4 sem necessidade. Numa loja que concorre com shopping e marketplace, R$ 4 pesam na cabeça do cliente.
Usar uma alíquota velha. Se o seu negócio cresceu e você continua usando a alíquota da época em que faturava menos, o preço fica baixo demais. A margem de verdade cai abaixo da planejada, e no fim do ano é dinheiro que sumiu.
Mito. A efetiva sobe devagar dentro da faixa, graças à parcela a deduzir.
Verdade. O que muda é que, mês a mês, ela pode se mexer um pouco. Por isso vale recalcular de tempos em tempos e revisar primeiro os produtos de margem mais apertada.
A lógica é a mesma. Muitos serviços ficam no Anexo III, que começa mais alto que o comércio. Mas atenção a dois pontos:
Imposto não precisa ser monstro. Entrou na conta do jeito certo, é só mais uma fatia. E se a ideia de refazer o cálculo cansar, o app faz por você quando você atualizar a alíquota.
O comércio fica, em geral, no Anexo I, e a alíquota sobe por faixa de faturamento. Mas o que você paga de verdade é a alíquota efetiva, que fica abaixo da nominal. Confira com o seu contador a tabela em vigor.
Muitos serviços ficam no Anexo III, mas o anexo depende da atividade e, em alguns casos, do fator R, que compara a folha de pagamento com o faturamento. Quem define o anexo certo do seu negócio é o contador.
Não. O Simples é calculado sobre o faturamento, ou seja, sobre o valor das vendas. Mesmo uma venda sem lucro paga imposto. Por isso ele entra na conta do preço como porcentagem do preço, igual à taxa do cartão.
Talvez. A alíquota efetiva sobe aos poucos dentro da faixa, não de uma vez. Recalcule a alíquota de tempos em tempos e ajuste o preço quando a diferença começar a apertar a margem.
Você já sabe o caminho. Agora é só aplicar em cada produto ou serviço que você vende, e a parte chata da conta pode ficar com o app: você conta quanto gasta e quanto quer ganhar, e ele mostra o preço certo e quanto sobra em cada venda. Dá pra testar grátis, sem cadastro.
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