Ponto de equilíbrio: quantas vendas pra parar de pagar pra trabalhar
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Custo fixo e variável sem complicação: a diferença entre eles, como cada um entra no preço e quantas vendas pagam as contas do mês.

Quem abre uma hamburgueria em casa costuma calcular o preço do lanche somando pão, carne, queijo e caixinha. Essa parte está certa. O problema aparece no fim do mês, quando a conta de internet, o sistema de pedidos e o aluguel da cozinha precisam sair de algum lugar.
Entender custo fixo e variável é o que faz o preço pagar as duas coisas: o lanche e o negócio. O exemplo é de uma hamburgueria delivery, com valores só de exemplo. Troque pelos seus.
Pensa na academia. A mensalidade você paga indo ou não: é fixa. Já o suco que você toma depois do treino só existe se você for: é variável.
No seu negócio, a pergunta que separa os dois é: "se eu não vendesse nada este mês, eu pagaria isso?" Se sim, é fixo.
O DAS do MEI é um valor fixo mensal (5% do salário mínimo mais o ICMS e/ou ISS da atividade). Ele muda com o salário mínimo, então use o valor do seu boleto.
Imagine que cada lanche custe R$ 14 de variável e seja vendido a R$ 30. Com 10% de taxas (R$ 3), sobram R$ 13 em cada venda. Esse dinheiro tem nome: margem de contribuição. É ele que paga os fixos.
Se os fixos do mês somam R$ 1.300, são necessários 100 lanches só pra empatar (1.300 dividido por 13). Do 101º em diante, cada lanche começa a ser lucro de verdade.
Quem abre só quatro noites por semana consegue enxergar quantos lanches por noite isso exige antes do primeiro real de lucro. A conta detalhada está em ponto de equilíbrio.
Mito: "Se o preço cobre o ingrediente, já estou no lucro."
Verdade: cobrir o ingrediente só paga o lanche. O aluguel, a internet e o DAS ainda estão esperando na fila.
O custo variável entra direto na conta do produto. O fixo pede uma escolha.
Some os fixos do mês e divida pelos lanches que você costuma vender. Se são 260 lanches, cada um carrega R$ 5 de custo fixo. O custo cheio sobe de R$ 14 pra R$ 19, e é sobre ele que você aplica taxas e lucro. Aqui o lucro já é lucro de verdade, porque os fixos estão pagos dentro do custo. Mais em rateio de custo fixo por produto.
Você usa só o custo variável e escolhe uma margem grande o bastante pra, somada no mês, pagar os fixos e ainda sobrar. É o caso do lanche a R$ 30: a sobra de R$ 13 por venda cobre os fixos a partir do 100º lanche.
| Jeito 1 (rateio) | Jeito 2 (margem paga o fixo) | |
|---|---|---|
| Precisa saber o volume? | Sim | Não, mas confira o equilíbrio |
| Melhor pra | venda estável | venda que oscila |
Os dois funcionam. O que não funciona é ignorar o fixo nos dois lugares: custo só com variável e margem pequena.
O fixo por lanche muda conforme o volume. Com os mesmos fixos, um mês fraco faz cada lanche carregar o dobro de custo fixo. Por isso negócio pequeno sofre mais com fixo alto. E é por isso que vender mais costuma melhorar o lucro mais que subir o preço: o variável sobe junto, mas o fixo fica parado.
Se o dono baixa o lanche pra "competir", a sobra por venda cai, e o número de lanches pra empatar sobe bastante. Muitas vezes vale mais cortar um fixo que não traz venda (uma assinatura parada, um anúncio sem retorno) do que mexer no preço.
Alguns gastos têm uma parte fixa e outra variável:
Quando não der pra separar, trate como fixo. É o jeito mais seguro, porque obriga o preço a cobrir esse gasto todo mês. Pra custos que servem vários produtos, o artigo sobre custo indireto mostra como dividir.
Se der preguiça, o app separa fixos e variáveis e faz a conta do equilíbrio por você.
Custo variável sobe e desce junto com as vendas: se você vende o dobro, gasta o dobro. Custo fixo fica igual no mês, mesmo que você não venda nada. Ingrediente e embalagem são variáveis; aluguel e internet são fixos.
Depende do uso. A geladeira e o freezer ligados o mês todo formam uma parte fixa. A fritadeira, o forno e a máquina que só ligam pra produzir formam uma parte variável. Se der, separe as duas; se não, trate a conta como fixa.
A retirada mensal do dono, o pró-labore, funciona como custo fixo, porque precisa ser paga todo mês. Se você cobra a sua hora dentro do custo de cada produto, ela vira custo variável. Escolha um dos dois jeitos pra não contar duas vezes.
Sim. Ela é uma porcentagem de cada venda, então só existe quando você vende. O mesmo vale pra comissão de aplicativo e imposto sobre o faturamento, como o do Simples Nacional.
Revise assinaturas que não usa, negocie plano de internet e celular, compare o aluguel com o faturamento e veja se dá pra dividir espaço ou equipamento. Cada real a menos de fixo reduz o número de vendas que você precisa pra empatar.
Você já sabe o caminho. Agora é só aplicar em cada produto ou serviço que você vende, e a parte chata da conta pode ficar com o app: você conta quanto gasta e quanto quer ganhar, e ele mostra o preço certo e quanto sobra em cada venda. Dá pra testar grátis, sem cadastro.
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